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Crônicas de Agosto II

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 Hoje é dia 17 de agosto de 2026, uma segunda feira, acordei sem despertador, como sempre com a bexiga cheia pra ir ao banheiro, o barulho da rua já estava a todo vapor, ônibus passando, os pais deixado os filhos pequeninos na escolinha aqui de frente de casa, as pessoas, carros e motos passando, eu sem despertador, nessa segunda feira eu estaria madrugando para estar no escritório da obra 630 da construtora Caiapó onde eu trabalhava, mas agora estou desempregado, não tenho nada além da quantia que me restou do acerto trabalhista que ficou para eu quitar algumas dividas, acordei sem despertador, é um dos privilégios que agora eu vou dar muito mais valor do que eu dava antes, acordar sem despertador é qualidade de vida. Nessa segunda feira, eu tinha algumas coisas já em mente, umas delas era ir na central de empregos dizer que as 3 cartas de encaminhamento não deram em nada, infelizmente, outra coisa seria ir comprar um relógio de pulso, que eu estava querendo comprar e também arrum...

Crônicas de Agosto I

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        Hoje é 12 de Agosto de 2026, amanhã é dia do economista e eu, formado em economia sinto em mim uma forte síndrome de impostor, eu que busquei em uma formação acadêmica ter uma identidade a ser respeitada, uma auto imagem construída pelo merecimento, de alguém que não se sucedeu a prazeres momentâneos para ser o bom menino, o menino da vovó, o bom moço, o cara consciente, o exemplo pro meu irmão, o cara que escreveu uma história de superação mesmo tendo uma infância difícil, com um pai alcoólatra, uma mãe que se foi cedo demais por causa de um câncer. Infelizmente, as coisas não são lineares, estão mais fora do nosso controle do que imaginamos na nossa vã filosofia, estou ainda na luta por reafirmar minha identidade através de um título acadêmico, dessa vez um mestrado que estou levando como se fosse uma via crucis, estou com o prazo de prorrogação para a defesa do mestrado quase estourado, pois se encerra agora em setembro, que é o meu limite regulamentar par...

"O jeito certo de comer paçoca"

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           Você não come uma paçoca inteira de uma vez, você pega uma paçoquinha, a que cabe na boca, mesmo cabendo inteira na boca você degusta um pedacinho, mesmo que sua avó faça uma bandeja inteira de paçoca deliciosa, você vai se ater a um pedaço que caiba entre seus dedos fazendo o movimento de pinça entre o dedão e o indicador, após estar com a paçoquinha desembalada, ela vai estar diante de você, moreninha, nua, suculenta, irradiando sabores só de olhar, sua boca saliva só de pensar no que seu paladar irá saborear em instantes.        Você coloca a paçoca na boca e não morde com força, mas deixa ela se despedaçar entre os seus dentes, ela naturalmente pela sua natureza quebradiça irá de desfazendo entre seus dentes, cada pedaço de doce com amendoim 🥜 vai se espalhando pela sua boca como um derramar de prazer, um deleite momentâneo que você gostaria que não acabasse, mas o pedaço ainda está lá na sua boca, longe do céu, mas forma...

Histórias no Mato Grosso

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Histórias no Mato Grosso Hoje é dia 7 de maio. Já fazem um mês e dezessete dias desde que cheguei ao Mato Grosso — uma terra em que eu nunca havia pisado antes. Curiosamente, minha primeira experiência “mato-grossense” aconteceu muitos anos atrás, em 2013, quando viajei para o Mato Grosso do Sul enquanto fazia seminário pastoral. Naquela época, eu sonhava em ser pastor. Viajava como seminarista e carregava comigo aquele fervor típico de quem acredita ter encontrado sua missão definitiva na vida. Lembro que, antes mesmo do ônibus encostar na rodoviária, eu me levantava e pedia a palavra para falar rapidamente com os passageiros. Dizia que existia uma igreja aberta na cidade, que Jesus os amava e que todos eram bem-vindos. Para mim, aquilo era uma atitude radical. Hoje, em 2026, descobri que existem pessoas pregando até dentro de avião — então talvez eu nem fosse tão ousado assim. Mas não é sobre pregações inconvenientes que quero falar. Quero falar sobre como fui parar, quase por acaso...

O que você vai fazer com o que fizeram com você

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  O que você vai fazer com o que fizeram com você O mundo é a nossa casa. Uma casa grande demais para caber na nossa compreensão completa, mas íntima o suficiente para nos afetar todos os dias. Nela, existem figuras de conforto, de autoridade, de disputa e de afeto — como em qualquer família. Há aqueles que nos acolhem, aqueles que nos desafiam, aqueles que competem conosco e aqueles que simplesmente seguem seus próprios caminhos. E no meio disso tudo… estamos nós. Tentando encontrar o nosso lugar. O mundo gira como uma centrífuga de emoções. Enquanto ele segue impassível, pessoas riem, choram, conquistam, perdem, se encontram e se perdem de novo. Cada um vivendo o seu pequeno universo particular, mas todos compartilhando, no fundo, o mesmo desejo silencioso: viver bem, estar em paz consigo mesmo e com os outros. Mas essa dupla nem sempre vem junta. Às vezes, para estar bem com os outros, você se abandona. Outras vezes, para ser fiel a si mesmo, você decepciona quem esperav...

Vivendo de lembranças e expectativas

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 Vivendo de lembranças e expectativas         É muito real a sentença que percebemos quando experimentamos que de fato nessa vida não somos insubstituíveis, aquele amigo que disse que iria com você até o fim, vai ter um momento que vai ele vai ter que seguir o caminho dele, quando o destino ou a própria vida fizer seus caminhos bifurcarem tanto você quanto ele, ou ela, terão que tomar seus caminhos. É inerente da vida meu amigo, não tem muito o que fazer, como diz a música do filme da Disney, The Lion King, o ciclo sem fim da natureza e estamos nele, uma das últimas ilusões a perdemos na vida adulta é a ilusão de domínio sobre o tempo, ele está passando, e nós estamos passando com ele, toda vaidade e mesquinharia que você se submeteu até aqui foi uma grande e burra maneira de gastar seu precioso tempo, que você gastava e nem sabia que tinha tão pouco. Chega um momento que você vê que a sua juventude já se foi e o que restaram foram memórias do que você fez, deix...

Os limites do mercantilismo e da firme imposição de ideias

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 Texto encontrado em um drive do Google perdido meu, o ano era 2014: Os limites do mercantilismo e da firme imposição de ideias Hoje, dia 04 de Janeiro de 2014, o que posso ler no cenário nacional brasileiro de mídia e política, ou política em mídia, é a falta de firmeza nos ideais e isso é horrível, pois está impregnada nas pessoas e órgãos formadores de opiniões. Implicitamente quem tem uma opinião muito forte, tem que se adequar aos moldes que já estão estabelecidos. Por mais idiota que pareça alguma ideia, ou preconceituosa, fundamentalista, ou até mesmo liberal demais elas devem ser expostas sem limites e barreiras, para que possam ser discutidas e julgadas pela sociedade, como boas ou não aproveitáveis, testadas pra ver se são utopias, ou terem a possibilidade de dar certo. Isso fará de nossa sociedade brasileira, uma sociedade mais pensante e mais crítica, que não aceita guela abaixo qualquer porcaria, e não levada cotidianamente como uma manada, ou massa de manobra ...