Crônicas de Agosto I
Hoje é 12 de Agosto de 2026, amanhã é dia do economista e eu, formado em economia sinto em mim uma forte síndrome de impostor, eu que busquei em uma formação acadêmica ter uma identidade a ser respeitada, uma auto imagem construída pelo merecimento, de alguém que não se sucedeu a prazeres momentâneos para ser o bom menino, o menino da vovó, o bom moço, o cara consciente, o exemplo pro meu irmão, o cara que escreveu uma história de superação mesmo tendo uma infância difícil, com um pai alcoólatra, uma mãe que se foi cedo demais por causa de um câncer. Infelizmente, as coisas não são lineares, estão mais fora do nosso controle do que imaginamos na nossa vã filosofia, estou ainda na luta por reafirmar minha identidade através de um título acadêmico, dessa vez um mestrado que estou levando como se fosse uma via crucis, estou com o prazo de prorrogação para a defesa do mestrado quase estourado, pois se encerra agora em setembro, que é o meu limite regulamentar para fazer a defesa e não perder mestrado, cujo o qual eu investi já um bom tempo e bons dias da minha vida, nesse meio tempo eu vivi a fumaça que é ser uma promessa, mas ainda não senti o gosto de ser algo além disso, não ser uma promessa e ser de fato uma realidade. Não consegui engatar nenhum relacionamento, pelo contrário, tive até aqui tentativas falhas de estabelecer algum tipo de estabilidade, seja financeira, seja emocional, seja de rotina... Nem isso eu consegui, me sinto um completo fracassado em estabelecer meu espaço no mundo, minha rotina, meu universo, parece que meu universo em todas as camadas que eu já o tive, se esfacelou de alguma maneira ou em algum momento na minha vida.
Seja por pessoas que partiram para o outro plano, sejam pessoas que se afastaram e deixaram de fazer parte da minha realidade, pessoas que foram viver suas vidas de outras maneiras, em outros contextos. Nem falo isso tomado de alguma nostalgia enganosa, pois sei que algumas pessoas e lugares fazem parte da nossa vida por prazo limitado, prazos que expiram.
Estou com meus 32 anos, sei que agora é o mais jovem que vou ser pelo resto da minha vida, vários pensamentos melancólicos me vêem à mente, de tanto consumir a internet, as vezes me pego pensando no que algum vídeo ou texto sugerido a mim pelo algoritmo veio a me escancarar, explicitar inseguranças, medos, planos, desejos de coisas que eu ainda não vivi, mas pior, poderia ter vivido.
Amanhã é dia do economista, e pretendo pelo menos cumprir algo que neste momento tem me dado sentido na busca de algo, enviar o texto da minha dissertação pro meu orientador e ter dele o aval para que possamos marcar enfim a defesa com a banca avaliadora. Outra coisa que eu quero registrar, não menos importante é o fato de que estou inscrito na prova da ANPEC 2027, que vai acontecer agora dias 22 e 23 de setembro, me inscrevi pra fazer a prova lá em Brasília, assim como fiz a do mestrado.
Hoje eu me pesei, estou com 101,85 kg o que era o medo se tornou real, parece aquele verso do salmista que diz: "Aquilo que temo me acontece", estou ciente que eu já não estava dentro de um peso ideal, jurava que ainda não tinha batido os 100 quilos, mas hoje, pesando na balança da farmácia Drogasil ali perto do terminal de Senador Canedo, vi a realidade da qual não posso fugir, estou acima dos cem quilos. E isso só acentua minha sensação de estar com a vida toda fora do prumo, ver pessoas na minha idade ou até mais velhas do que eu em melhor forma física me deixa com uma sensação de game over, de que estou rebaixado a não experimentar a vida, ou a não ter o direito que outros têm de viver com uma qualidade de vida.
Acho que o que posso fazer é voltar para mim, a minha ideia de viver um dia de cada vez, fazer em cada dia o que me propus a fazer, e avançar um tijolinho pra alguns dos meus objetivos, que por mais que já estejam apagados, ainda estão dentro de mim. O sonho de melhoria, o desejo de sair do fundo do poço, preciso resgatar a gratidão e sentimentos que expelam toda sensação de ter jogado a toalha, a única voz ainda que resta é a voz de Deus me dizendo que o jogo não acabou, que os cavalos estão na pista. Vou me agarrar nessa voz, o único jogo perdido é o jogo que já acabou, mas o meu ainda está acontecendo, enquanto há vida, há esperança.

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