Aniversário da Suzan Viviane
Vou contar como conheci a Suzan, não lembro com exatidão a data, eu era recém chegado na cidade de Pelotas, ainda estava me acostumando com aquela cidade nova, interior do Rio Grande do Sul, outra cultura, no centro da cidade onde a maioria dos estudantes moravam, tinha o RU, restaurante universitário na General Teles com a Andrade Neves, um restaurante de esquina onde indubitavelmente se formavam as filas dos estudantes de cursos variados para o almoço ou jantar no final de semana, ainda não tinha RU no campus do Anglo, o ano era 2018, eu sempre ia com meus colegas de República que ficava bem no começo da General Teles, na parte mais baixa entre a Saldanha Marinho e a Marcílio Dias, nesse contexto eu vi uma menina estranha, com roupas largas e pretas (se bem que era a paleta de cor da maioria das pessoas da cidade) com óculos e cabelo vermelho, já pensei, essa deve ser esquerdista ou de algum curso de humanas em sua biscicleta preta, ela não andava acompanhada por ninguém, não andava em grupo como eu costumava andar, mas não demorou muito pra descobrir que ela também era do curso de economia, nos encontramos nos corredores do campus universitário, eu interessado em movimentar o curso, pedir aproveitamento de disciplinas e a oferta de cadeiras que não eram ofertadas naquele semestre, eu vinha da UFG, onde tinha atlética e diretório acadêmico forte, mas o curso de economia da UFPEL era pequeno em comparação com o da UFG, a Suzan logo conversou comigo sobre essa possibilidade de montar um diretório acadêmico para ir em busca dos interesses dos alunos junto ao colegiado, depois disso, não sei como, fomos criando afinidade, ela também não era dali, vinha de longe, lá do Alegrete e eu de Goiás.
Descobri que ela entrou no curso no mesmo ano que eu, 2016, só que pra ela Pelotas foi uma experiência de começo da jornada, enquanto pra mim na verdade Pelotas era um recomeço, descobrimos que tinhamos mais em comum do que a sensação de forasteiros, também tinhamos aflições com as matérias, com a disciplina alimentar, com a saúde física, com as matérias de estatistica, um dia ela me surpreendeu quando resolveu não ir para a prova de cálculo e apareceu com o cabelo raspado, foi umas das coisas mais radicais que eu já vi uma menina tão nova fazer, ela criada por pai militar, sempre foi muito radical, sempre intensa em tudo, fomos muito parceiros de rolês universitários, pedaladas para o Laranjal e para o Cerro das Almas, o melhor é que ela topava os rolês que eu propunha, me dava muitas dicas de como lidar com as mulheres, eu contava minhas experiências boas e ruins para ela e ela me contava como ela entendia o mundo, eu acompanhei o desenvolvimento dela se tornando uma grande e admirável mulher, sempre responsável e sempre preocupada com o próprio futuro, uma gaúcha extremamente sincera, franca, sem rodeios, nunca gostou que pisassem no calo dela, odeia que ultrapassem seus próprios limites, mas ao mesmo tempo é muito parceira, amiga de verdade, vive suas lutas à sua maneira, enquanto eu ainda estava no mundo da lua acreditando que a vida seria apenas focar na vida acadêmica, ela já se via encarando a realidade de procurar se qualificar, sempre se dedicando nas áreas de programação, me ensinou o que é o Discord.
Não demorou muito e focou em se qualificar no mercado de trabalho e hoje é uma das pessoas referência pra mim quando penso em alguém que se dedica e se qualifica com habilidades úteis para arrumar emprego, a gente brinca que eu e ela um dia iremos trabalhar juntos, e sobre como vai ser quando estivermos ricos, fomos pra Porto Alegre em um evento que eu organizei a excursão dos alunos da ufpel, a Suzan foi minha colega na organização da semana acadêmica, se prontificou a ir comigo e o Paulo pro Uruguai de bike, quase foi com a gente, seria uma baita historia, e eu quase me esquecia sempre que era uma guria bem mais nova que eu, já com tanta vivência e disposição para as coisas, a vida universitária foi interrompida pela pandemia de 2020, foram tempos difíceis, mas ela foi das poucas pessoas que a gente manteve contato mesmo em meio às restrições e às dificuldades desse tempo mantivemos nossa proximidade, fando jogos de tabuleiro, conversas universitárias sem fim, discussões políticas, era assunto que não acabava mais, parece que o tempo estava parado para nós, eu lembro de sempre que ia à casa dela tinha o espaço de deixar as nossas bikes, uma escada, vizinhos no mesmo lote e um quarto bem estilo estudante, ou como eu gosto de pensar: estilo Suzan, com um espaço de cozinha com geladeira, fogão e pia, com espaço para guardar as coisas embaixo, uma cama e um guarda-roupa com uma mesa de trabalho com computador e livros, além do banheiro no final com algum espaço para lavabo, minha amiga guerreira, vencedora, solitária, mas nunca sozinha, sabe cultivar as amizades, ela sempre se deu bem com todos que eu apresentei a ela, se a pessoa era minha amiga, logo se tornava amiga dela também e vice e versa.
Depois de nos despedirmos no final de 2021, mantivemos contato como se nada tivesse mudade e não mudou mesmo, eu apenas estava de volta a Goiânia, mas ela e eu mantivemos nossa amizade inabalável, ela teve uma experiência amorosa que não foi pra frente, faz parte da vida, mas ela deu a volta por cima fazendo a melhor coisa possível, foi me visitar e conhecer minha terra, quando essa gaúcha desembarcou em Goiânia foi incrível pra mim, ela veio, nossa isso foi muito massa, eu pude mostrar pra aquela menina com quem eu tive apenas memórias naquela distante cidade do Sul, as minhas origens e apresentar alguns dos meus amigos, nesse dia acho que nossa amizade ficou mais forte ainda, me senti prestigiado, ainda tenho que ir conhecer Alegre hehe, mas logo surgiu a oportunidade de fazer mestrado e com o convite do meu orientador da Graduação, Pelotas se tornou uma ótima opção, afinal, minha amiga Suzan morava lá, voltei pra Pelotas pra fazer o mestrado, a Suzan focada sempre trabalhando, foi a pessoa que me recebeu de volta, no dia do meu aniversário, eu estava em Pelotas e comemoramos meu aniversário almoçando juntos, meus 30 anos de idade, a Suzan me vendeu uma bike que ela tinha a preço de banana, essa bike que foi muito útil pra mim a pós-graduação inteira, que inclusive deixei com a minha amiga Juliane, quando parti de novo. Por fim, após um tempo de chuvas e alagamentos, a terrível enchente de 2024 foi a gota d'água para minha amiga decidir alçar novos voos mais altos e resolveu se mudar para Florianópolis, não foi uma decisão impensada, pelo contrário, eu acompanhei a angústia dela com as memórias nada boas com cada ano de enchente que ela enfrentou, eu não entendia, mas pra ela e provavelmente outros gaúchos nessa época se mudaram do Rio Grande do Sul, nisso eu fiquei em Pelotas mas sempre acompanhando essa transição da minha amiga, sempre na luta, sempre em busca de melhores condições, sempre com a alma leve e o foco total em cuidar de si, fui testemunha da transformação quando ela resolveu emagrecer, ficou até mais nova, sempre cuidando da saúde e da aparência, agora se veste como uma executiva da mais alta classe, e aquela menina estranha de outrora nem se reconhece mais, ela é e está se tornando uma mulher linda, independente e madura, capaz de ganhar o mundo, tive a oportunidade de estar com ela no final de 2024, passamos o natal juntos, conheci Floripa com ela, ela me recebeu e agora no final de 2025 estivemos juntos novamente, mesmo que bem rápido, neste 22 de fevereiro de 2026, eu desejo que sua vida seja repleta de bênçãos, conquistas, motivos de sorrisos, pessoas do bem, que Deus abra todas as portas que vc precisar, que vc seja protegida de todo mal, que a gente em breve esteja junto comemorando com champanhe e risadas cada uma das conquistas que tanto buscamos, te amo muito branquela, minha querida amiga gaúcha do Alegrete quero que esse texto seja colocado no formado de uma postagem no meu blog onde eu consiga colocar imagens e repartir em subtítulos e trechos sobre cada coisa



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