22 de Fevereiro - Aniversário da Suzan Viviane

 A amizade que a Economia me deu e a vida fez questão de manter

📍 Pelotas, 2018 — RU da General Teles

Eu era recém-chegado em Pelotas — interior do Rio Grande do Sul, outra cultura, outro clima, outro ritmo. Um goiano tentando entender o Sul. No centro da cidade, onde quase todo estudante morava, havia o famoso RU na General Teles com a Andrade Neves. Restaurante de esquina, fila dobrando quarteirão, estudantes de todos os cursos esperando almoço ou janta de fim de semana.

Eu morava numa república no começo da General Teles, entre a Saldanha Marinho e a Marcílio Dias. Ia sempre com meus colegas.

Foi nesse contexto que eu vi uma menina diferente.
Roupas largas, pretas (ok, isso era praticamente o uniforme da cidade), óculos, cabelo vermelho, bicicleta preta. Sozinha. Sempre sozinha.

Minha primeira conclusão precipitada:
“Essa deve ser de humanas. Esquerdista, certeza.”

O que eu não imaginava é que ela era da Economia. E que se tornaria uma das amizades mais importantes da minha vida.


Suzan e o seu mate na praia do 
laranjal 30/07/2021

Suzan  e eu pegando aula na UFPEL

🎓 Corredores da UFPEL e o sonho do Diretório

Nos encontramos nos corredores do campus.

Eu vinha da UFG, acostumado com atlética forte e diretório acadêmico atuante. O curso de Economia da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) era pequeno em comparação. Eu queria movimentar o curso, pedir aproveitamento de disciplinas, lutar por cadeiras que não estavam sendo ofertadas.

Suzan não apenas ouviu.
Ela embarcou.

Falamos sobre montar um diretório acadêmico. Sobre representar os alunos. Sobre fazer o curso crescer.

Ali começou a parceria.

Descobrimos que entramos no mesmo ano — 2016.
Mas para ela, Pelotas era o início da jornada.
Para mim, era recomeço.

Ela vinha do Alegrete. Eu, de Goiás.
Dois forasteiros tentando entender aquele pedaço do mundo.



Vídeo da nossa viagem a Porto Alegre


🚴‍♂️ Pedaladas, estatística e intensidade

Tínhamos mais em comum do que imaginávamos.

Aflições com estatística.
Crises com cálculo.
Indisciplina alimentar.
Tentativas de cuidar da saúde.

Ela me surpreendeu um dia: decidiu não ir para a prova de cálculo e apareceu de cabelo raspado. Criada por pai militar, sempre intensa, radical, firme nas próprias decisões.

Fomos parceiros de rolês universitários, pedaladas até o Laranjal, idas ao Cerro das Almas. O melhor? Ela topava quase todos os planos malucos que eu sugeria.

Ela me dava dicas sobre mulheres.
Eu contava minhas experiências boas e ruins.
Ela me contava como enxergava o mundo.

E o mundo dela era sempre direto. Franco. Sem rodeios.

Nunca gostei de gente que pisasse no calo dela — porque ela definitivamente não deixava.

Eu e a Suzan em uma tarde
qualquer em Pelotas/2024










Eu e a Suzan em um passeio em Goiânia/2022

✈️ Goiânia, reencontros e raízes

No final de 2021, eu voltei para Goiânia.

Mas a amizade não mudou.

Ela viveu uma decepção amorosa. Deu a volta por cima do jeito mais Suzan possível: indo me visitar.

Quando aquela gaúcha desembarcou em Goiânia, algo mudou.
Eu pude mostrar minhas origens. Meus amigos. Meu mundo.

Nossa amizade ficou ainda mais forte naquele dia.

Depois veio o mestrado. Voltei para Pelotas.
Quem me recebeu? Ela.

No dia do meu aniversário de 30 anos, almoçamos juntos.
Ela me vendeu uma bike por preço de banana — bicicleta que sustentou toda minha pós-graduação.



Suzan e eu em Goiânia, mais precisamente no parque Lago das Rosas em 01/03/2022






Visita da Suzan ao parque do Goiânia 2



Thiago, Suzan e eu atrás, Leandro 
na frente, demos rolê pela
cidade

Suzan e os meus amigos em Goiânia, março de 2022






🌊 Enchentes, coragem e novos voos

Depois de anos de enchentes, especialmente a terrível de 2024, ela decidiu mudar.

Não foi impulso.
Foi maturidade.

Mudou-se para Florianópolis. Buscou melhores condições. Novos ares. Nova fase.

Eu acompanhei a angústia. A decisão. A coragem.

Ela focou na saúde. Emagreceu. Rejuvenesceu.
Hoje se veste como executiva de alta classe. Aquela menina estranha de bicicleta preta agora é uma mulher linda, independente, madura e preparada para ganhar o mundo.

Passei o Natal de 2024 com ela em Floripa.
Estivemos juntos novamente em 2025.
E a cada reencontro, a certeza: algumas amizades não são circunstanciais — são estruturais.


Momentos de descontração na república de estudantes com a Suzan e outros amigos

🎂 22 de fevereiro de 2026 — 28 anos

Suzan,
Eu desejo que sua vida seja repleta de conquistas, portas abertas, pessoas boas, proteção divina e muita leveza.
Que Deus te guarde.
Que você nunca aceite menos do que merece.
Que a gente ainda estoure muito champanhe comemorando as vitórias que estamos construindo.
Eu tenho orgulho da mulher que você se tornou — e da jornada que eu tive o privilégio de acompanhar.
Te amo muito, branquela.
Minha querida amiga gaúcha do Alegrete.
🤍









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